Favela venceu!
#1 Crônicas
João estava aproveitando as férias da faculdade e foi passar uns dias na casa de alguns familiares, na cidade de São Paulo, fazia anos que não os via.
Fazia muito calor, estava sentado no sofá da casa da tia, entediado depois do almoço, nada de bom na TV, resolveu dar uma volta, queria conhecer a região.
Andou, andou e já estava há várias quadras da casa da tia, chegou em uma avenida movimentada e a sua esquerda uma favela, com ruas estreitas que subiam morro acima, indo para dentro daquele amontoado de casas e barracos.
Ele andava tranquilamente, até que parou, observando um cenário que chamou sua atenção: era o muro de um ferro-velho, na esquina, a montanha de tralhas no terreno era mais alta que o muro; do lado de fora, a calçada estreita coberta de lixo, parecia ser um ponto de descarte irregular, além dos sacos rasgados pelo chão, um
sofá velho, madeiras e o esgoto que corria pela rua esburacada, a céu aberto; o calor ardente atiçava o fedor, que se espalhava pelo ar. No muro do ferro-velho um grafite com a inscrição: Favela venceu!
João parou observando esse cenário, achou no mínimo curioso. Resolveu tirar o celular do bolso e registrar uma foto, enquanto mirava o celular para obter o melhor ângulo ouviu:
- Perdeu, perdeu!
Foi tudo muito rápido, nem ouviu a moto chegar. Quando se deu conta, o carona já tinha puxado o celular de sua mão, o piloto acelerou, subindo o morro, na moto sem placa.
João ficou ali parado, imóvel, depois do susto. Não demorou muito, o coração voltou a bater no ritmo normal, ele saiu andando, não tinha muito o que fazer.
Surpreendentemente, ele deu um sorriso irônico e falou consigo:
- É, realmente, favela venceu.




Nós também iremos vencer. A diferença é que ao vencermos, todos vencerão. A nossa vitória será a vitória de todos. Poderemos, com honra dizer que a Favela ficou tão emocionada com a nossa vitória, que ao sentir seus efeitos se transformou em moradias dignas com esgoto tratado, água limpa, e uma decoração digna. Podemos dizer que não sentiremos saudades dela, mas ela não poderá dizer o mesmo. Abraço Fabio.